“Gosto que elas participem deste processo para colocarem a ‘mão na massa’, perderem medos e lidarem com as frustrações”. É assim que Manoel Lemos, fundador do Grupo Fazedores e maker por vocação, explica a participação das suas duas filhas pequenas na construção de robôs e outros projetos presentes no escritório em sua casa no Morumbi. A Cultura Maker, sustentada pelos três pilares - fazer, registrar e compartilhar -, parece ter sido feita com os moldes certos para se vestir de proposta pedagógica.
É fazendo que se aprende a fazer. E é através desta premissa que o professor de ensino técnico, de superior e de pós-graduação, Humberto Zanetti, discute em sua coluna - no site dos Fazedores - sobre a resolução de muitos dos problemas que enfrentamos nas escolas atualmente, como alunos desinteressados e pouca relação da teoria com o mundo real. “Há mais de um século encontramos pesquisadores trabalhando para provar que uma sala de aula não deve ser assim”.
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Os primeiros passos
Pensando ou não nas duas teorias, algumas escolas de São Paulo já têm inserido em seu projeto pedagógico os mandamentos da Cultura Maker. Enfrentando preconceito, o uso das ideias makers ainda não foge muito de projetos privados com mensalidades altas ou a educadores entusiastas que levam suas ideias à instituições públicas. O Colégio Visconde de Porto Seguro e a Escola Projeto Vida são exemplos de instituições de ensino privada que já contam com espaços makers para seus alunos, enquanto os projetos Little Maker - laboratórios makers que oferecem workshops e cursos para pequenos fazedores - e Mundo Maker - que atuam na formação de professores ou realização de oficinas nas escolas - surgem como opções fora do ambiente escolar.
No iniciativa pública, destacam-se as parcerias com o projeto da prefeitura de São Paulo, Fab Lab Livre (laboratório de criatividade, aprendizado e inovação acessível a todos). Um exemplo é o da unidade de Heliópolis, que recebe semanalmente alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Campos Salles. Outro exemplo é o CEU Pimentas, de Guarulhos, que recebe atividades do projeto Fab Social, também financiado pelo município.
Ao redor do mundo
Ainda engatinhando no Brasil, a educação maker já é uma realidade ao redor do mundo. Um dos maiores exemplos está nos Estados Unidos - onde a cultura maker tem até semana oficial oficializada pelo ex-presidente Barack Obama -, com a Maker Ed.
A organização oferece a educadores treinamento, recursos e suporte para a inserção do preceitos maker em suas escolas. De acordo com eles, em 2016 o alcance foi de 250 mil pessoas entre educadores, pais e alunos sendo que 1,130 professores trabalharam diretamente com a organização.
Os pais da educação maker
“Primeiramente, tirar da sala de aula o estigma de uma ambiente monótono e improdutivo. E em um segundo momento, tirar a sala de aula! Pelo menos mudar o formato clássico GLS (giz-lousa-saliva)”, propõe Zanetti depois de citar os educadores Jean Piaget e Seymour Papert.
O primeiro fundou o conceito do Construtivismo, que trouxe a ideia do aluno abandonar a passividade e interagir com o meio que lhe é exposto. E depois, o matemático Papert se utilizou dos conceitos de Piaget para desenvolver o Construcionismo, em que o conhecimento gera um produto palpável. “Essas duas teorias basicamente dizem ‘vamos lá alunos, mãos na massa!’. Isso é exatamente a cultura Maker”.